Você está feliz com a carreira que escolheu?
Hora de escolher a profissão: a difícil tarefa dos jovens
terça-feira, 8 de setembro de 2009

por Valéria Polizzi

 

Escolher uma profissão não é tarefa fácil. O que se dirá ter de fazer essa escolha aos 16, 17 anos de idade. Nosso modelo de ensino não costuma preparar os adolescentes para essa escolha. Inexperiência, dúvidas, incertezas permeiam o mundo de qualquer um deles nessa fase da vida. Como se não bastasse isso, também não é raro os que descobrem, quando já estão na área, que não era bem aquilo que queriam.

 

Marina Dantas, hoje com 19 anos, lembra que no 3° ano fundamental estava em dúvida sobre o curso para o qual deveria prestar o vestibular. Ela tinha várias opções na cabeça, de áreas totalmente diferentes. “Eu não sabia se queria Letras, Administração, Geografia, Biologia, Psicologia, Gastronomia ou Ciência da Computação.” E esse não era um problema só dela. “A maioria dos meus amigos estava em dúvida.”

 

A jovem conta que ela e as colegas chegaram a comprar revistas sobre profissões, mas eram muito superficiais. “E quando a gente pesquisava mais a fundo na internet via que não era bem aquilo.” Foi só depois que participou de um Programa de Orientação Profissional no Paradigma - Núcleo de Análise do Comportamento, que Marina conseguiu se decidir. “Foi um mês de encontro semanal, onde psicólogos me orientaram a escolher a melhor opção para mim.”

 

A psicóloga comportamental, Giovana Del Prette, uma das coordenadoras do Programa explica que algumas etapas do processo são: autoconhecimento de habilidades, aptidões, interesses e valores; análise de critérios para a escolha, como ambiente de trabalho, rotina, atividade e retorno esperado. “Mas destacamos nossa posição de não oferecer resultados prontos, e sim dar as ferramentas práticas e bases teóricas para o jovem escolher com mais consciência”, afirma.

 

Marina conta que com base em suas respostas eles iam eliminando as profissões que não estavam se encaixando. “As primeiras opções que descartei foram Biologia e Geografia, porque me decepcionei com a área de atuação”. Em outra etapa, a estudante pôde conversar pela internet com quatro profissionais de diferentes áreas. “Foi muito legal. Eles contaram da rotina, do começo na carreira, da área que se pode atuar. Aí descartei ciência da computação, já exige muita matemática e eu odeio.”

 

Ao final, a estudante estava entre psicologia e gastronomia. “São duas coisas que adoro! Mas a questão das horas de trabalho e dificuldade em início de carreira me fizeram optar por psicologia. Em gastronomia você tem de trabalhar fins-de-semana e feriados e o retorno financeiro no começo costuma ser difícil.” Hoje Marina cursa o 2° ano de psicologia e afirma ter feito a escolha certa.

 

Um problema que começa na escola

 

A psicóloga, Giovana Del Prette, explica que, no Brasil, os eixos básicos de ensino costumam ser três: humanas, biológicas e exatas. Entretanto, as profissões abrangem outros eixos, pouco ou nada estudados nas escolas, como artes, administração, negócios e saúde. “O resultado disso é que os alunos acabam não tendo contato com o que de fato os profissionais dessas áreas fazem,” explica.

 

Giovana vai além e diz que a discussão sobre a estrutura curricular dos ensinos fundamental e médio é extensa e poderia incluir muitos outros fatores, além do profissional. “A maioria das escolas não prepara, por exemplo, para valores morais e éticos e o ensino de habilidades de relacionamento interpessoal,” diz.

 

Entretanto, de acordo com a psicóloga, há muitas escolas que procuram sanar a questão fazendo um acompanhamento do aluno ao longo de todo o ensino médio. “Algumas oferecem várias alternativas para o amadurecimento no processo de escolha, como debates em sala, palestras, feiras de profissões e até excursões a universidades.”

 

A coordenadora também alerta para o risco dos "testes vocacionais" adotados por algumas instituições. “Na maioria das vezes, eles consistem em baterias de perguntas e apresentam como resultado final uma lista de profissões em que supostamente os alunos se encaixariam”. De acordo com Giovana um dos problemas disso é o de não ensinar o aluno a escolher e apresentar um resultado pronto que ele mal saberá explicar e não ajudou a construir. Por isso o Núcleo Paradigma, além de orientação individual, oferece serviço para as escolas, onde atendem alunos em grupo.

 

“Estamos tão interessados no produto final quanto no processo, e com isso a aprendizagem sobre como fazer escolhas pode se estender para outras áreas da vida,” esclarece a psicóloga. Ela lembra ainda que não existe uma escolha errada. “Mas uma escolha pouco consciente pode, sem querer, desconsiderar aspectos relevantes para o individuo e torná-lo pouco satisfeito com seu trabalho.”

 

Quando a dúvida vem mais tarde

 

Ian Lianres, 19 anos, cursa o 2° ano de biologia na USP Ribeirão Preto e também foi procurar orientação no Paradigma. “Eu não estava gostando de estagiar no laboratório de biologia molecular de plantas. Achava que seria mais dinâmico,” conta o rapaz que afirma não estar arrependido de ter escolhido biologia, mas quer rever a área de atuação, que é muito ampla.

 

“O processo de orientação, embora ainda no início, já me faz repensar muita coisa, como por exemplo, a influência da família e como quero me encaixar na sociedade,” diz Ian. Ele também afirma que não teria problema em apostar numa área totalmente diferente da qual está. “Se ao final eu chegasse a conclusão de que isso seria o melhor, apostaria. Só não quero me sentir sub-aproveitado.”

 

A coordenadora do Programa de Orientação Profissional do Paradigma afirma que o núcleo atende a qualquer faixa etária. “Embora a maior proporção seja de alunos do terceiro ano do Ensino Médio e Cursinho, também recebemos jovens que já começaram uma faculdade ou estão inseridos no mercado de trabalho e desejam reavaliar a escolha ou mudar de área”, diz Gionana.

 

 

No mercado de trabalho a questão é aplicar o conhecimento

 

Celso Braga, sócio-diretor do Grupo Bridge, empresa de consultoria, afirma que no Brasil os alunos, no geral, não sabem aplicar seus conhecimentos. “Eles chegam às empresas com a teoria, mas não conseguem aplicá-la no dia-a-dia.” Segundo Braga essa deficiência já começa com os professores, que não são líderes e vivem num mundo teórico. “Essa falta de visão prática está presente tanto no ensino médio, como na graduação e até na pós-graduação,” afirma.

 

Como decorrência disso, Braga relata que as empresas estão, hoje, tendo que assumir cada vez mais essa deficiência. E muitas estão oferecendo programas de desenvolvimento e formação para os funcionários novos, que podem ter a duração de até um ano, ao invés de um treinamento pontual. “Essa demanda foi uma das coisas que levou o Grupo Brigje a oferecer esses cursos para as empresas. Além disso, estamos criando uma pós-graduação voltada para área de liderança.”

 

Preocupados com a questão da educação o grupo Bridge adquiriu, recentemente, o controle acionário de uma universidade americana, que proporcionará um intercâmbio com os alunos da pós-graduação do Brasil da Bridge Eduk. “Estamos preparando mestres e doutores para aplicar a teoria na prática. E vamos oferecer cursos de formação em liderança, lato senso”.

 

Braga lembra que nos Estados Unidos, por exemplo, os professores são na verdade facilitadores. “Eles orientam os alunos que têm de pesquisar cada tema. Já aqui no Brasil, os alunos ficam esperando a matéria pronta”. O consultor diz ser adepto da concepção de educação de Paulo Freire, que percebe o homem como um ser autônomo. E cita também a Socionomia, que incentiva o sujeito a sentir, pensar e agir.

 

Entretanto ele alerta que não é só a escola que interfere na formação dos jovens. Os próprios pais podem desempenhar um importante papel como modelo de liderança para seus filhos. “Estamos incentivando que, nas empresas, os funcionários contem suas experiências de como, passando mais tempo com seus filhos, os incentivam e ter essa postura.”

 

Serviço:

Paradigma - Núcleo de Análise do Comportamento

Rua Wanderlei, 611- Perdizes – São Paulo

Tel: (11) 3864-9732

www.nucleoparadigma.com.br

 

Bridge Consultoria

www.grupobridge.com.br