

por Lucas Toyama
Agregar formação e experiência internacional ao currículo é uma prática que está deixando de ser um sonho de muitos estudantes para se tornar realidade. Prova disso, é o fato de a procura por esses cursos ter praticamente dobrado, ano a ano, nos últimos quatro anos, segundo especialistas do mercado. Mas não é só a demanda que tem aumentado. Com ela, a oferta e a variedade das famosas extensões universitárias também têm se multiplicado para atender aos diferentes desejos de cada estudante. Mas esse sonho de tantos pode, facilmente, virar um problema, caso não seja feito um planejamento financeiro adequado.
Segundo o educador financeiro Reinaldo Domingos, é preciso se programar para ter um valor de cerca de 30% acima do preço dos cursos, para custo de vida, materiais e outros gastos. “O aluno terá muitos imprevistos. Além do curso, ele vai estar sujeito a viagem, compras, custo de vida, entre outros”.
Mas, segundo Domingos, o principal problema é fazer a escolha certa. “É importante avaliar se a pessoa realmente necessita dessa especialização. Essa é a primeira pergunta que se faz. Se vai agregar valor”, explica. O segundo passo, continua, é encontrar um programa que tenha o melhor custo benefício e o terceiro é avaliar as questões financeiras.
O consultor ainda recomenda que o aluno comece a se programar pelo menos 18 meses antes da sua viagem. “É um tempo adequado para planejar tudo e começar a guardar dinheiro com critério e objetividade”, diz.
Para Patricia Lumy, gerente da loja Amauri do Student Travel Bureau (STB), financiar os estudos é uma das questões mais importantes. Para ajudar o estudante, o STB tem disponível um financiamento, por meio do ABN Amro Real, em até 24 vezes. “O importante é entender o que se procura. É um investimento grande, o estudante sabe que tem que se organizar para se manter sem trabalho durante todo o ano. Aqui, a gente recomenda guardar pelo menos US$ 1 mil por mês para acomodação e outros US$ 800 mensais para o custo de vida”, conta.
Essa dica vale, claro, para os interessados nos programas de extensão universitária, que atende tanto quem ainda está cursando faculdade, quanto quem é recém formado. O que muda é a instituição. A Universidade de San Diego, na Califórnia, aceita estudantes para esses cursos modulares, já a de Berkley, também na Califórnia, só aceita os formados.
A modalidade tem sido uma alternativa visada porque permitem que o estudante faça um, dois ou três módulos de três meses cada. “Eles têm o apoio do governo norte-americano, que criou o programa Optional Pratical Training (OPT), que possibilita, no caso do aluno fazer os nove meses de curso, um visto de trabalho por mais um ano após o término das aulas. Então, além de aprender em classe, o aluno tem a chance de trabalhar, remunerado, por mais um ano nos EUA”, diz.
Essa oportunidade pode ser essencial no planejamento do aluno, uma vez que os cursos não são baratos. Em San Diego, por exemplo, um módulo de três meses custa cerca de US$ 5.200, e, no total, os três meses saem por US$ 12.200. Já em Berkley, cada módulo trimestral custa US$ 13.500.
Essa variedade de ofertas, somada à notória tradição das universidades americanas, é o que faz com que os EUA ainda sejam o destino mais procurado pelos estudantes, seguido pelo Canadá. Entretanto, segundo Patricia, Austrália e Europa também têm ganhado a atenção do público, assim como cursos que fogem do tradicional economês, como de moda e cinema. “Aumentou também a definição do gap year. Então tem muita gente que tem tirado um ‘ano sabático’ para experimentar outra área”, complementa.
Para a Central de Intercâmbio (CI), entretanto, esses destinos ainda “alternativos” não geram demanda para esse perfil de cliente. “Os EUA dominam a procura e até o fim do ano já teremos também o Canadá no nosso portfólio. Outras demandas são praticamente irrisórias”, aponta Tereza Fulfaro, diretora de cursos da CI. Para ela, se a pessoa está realmente com a intenção de se especializar lá fora, vale até pedir demissão, mas também é necessário um planejamento de no mínimo seis meses de antecedência. A CI ainda conta com um programa que auxilia na escolha da instituição e no financiamento do curso, no qual um parceiro, nos EUA, envia cerca de nove opções de bolsas de estudo em diferentes escolas. Os descontos variam de 20% a 50% do custo total.
Business english
Outra opção interessante para aqueles que não querem largar seus empregos, mas ainda assim, aperfeiçoar o inglês, são os cursos de inglês para negócios (business english), em que o foco é vocabulário profissional, palestras, como falar ao telefone, enfim, o inglês no ambiente de trabalho. “Os programas de business english têm muito apelo e são um sucesso entre os executivos em geral que não podem se ausentar por tanto tempo”, diz Tereza.
Esses módulos têm duração de no máximo um mês e transmitem uma boa visão de linguajar técnico, postura profissional, entre outros pontos relacionados ao dia a dia do trabalho. “Atualmente, esse formato é líder de venda”, destaca a executiva.
Os cursos de inglês para negócios podem ser feitos nos EUA, Canadá e Londres e são mais viáveis financeiramente. Na STB, por exemplo, pode-se encontrar um programa a partir de 918 dólares canadenses. Se o aluno quiser incluir já a acomodação com quarto individual, café da manhã e jantar, o valor sobe para a partir de 1.852 dólares canadenses.
MBA
Outra opção, focada aos estudantes mais experientes, é fazer um MBA no exterior. “Temos uma consultora externa que atende e ajuda o aluno no processo de inscrição e admissão numa universidade que ele já tenha em mente”. Esse modelo, no entanto, é o menos procurado porque geralmente o aluno já sabe onde quer estudar. Aliás, para esse tipo de programa de capacitação, os candidatos geralmente estão mais decididos, visto que são um projeto mais de longo prazo e também mais onerosos.
E esse público conta, agora, com uma novidade. A Esade Business School, escola de negócios espanhola e uma das líderes na Europa, deu, em julho, início ao seu processo de internacionalização e inaugurou em São Paulo o primeiro Global Center da América Latina, um escritório para prospecção, formação de parcerias e estudo da sociedade brasileira.
O escritório tem o objetivo de “gerar conhecimento, impulsionar as relações institucionais e corporativas, captar alunos e aumentar a nossa influência no País para entender melhor sobre as empresas locais e o mercado brasileiro, que tem hoje o terceiro maior em número de interessados em fazer um MBA, ficando atrás somente de Estados Unidos e Índia”, explica Ivan Bofarull, diretor de Reputação Internacional da Esade.
A instituição é uma escola de negócios com mais de 50 anos de experiência em educação de altos executivos e jovens empresários e está hoje listada entre as 10 melhores escolas de negócios do mundo, de acordo com rankings de publicações como Financial Times, Wall Street Journal e Business Week.



















