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Na onda certa
por heloisa pereira fotos cia de foto  |  Ano 2010 - Nº 74 - janeiro / 2010
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Você sabe o que a campeã brasileira de kayaksurf e a gerente de Comunicação Online do UOL têm em comum? Muito, afinal, são a mesma pessoa. Roberta Borsari aprendeu cedo a conciliar duas carreiras, uma no esporte, outra na área de comunicação. E conquistou sucesso em ambas. As atividades se complementam, garante ela: “uma tem ênfase na atividade intelectual; a outra é voltada para o desenvolvimento físico, enquanto a mente fica mais livre”, explica.

 

Filha de um professor de educação física, Roberta Borsari conviveu desde cedo com os esportes. Praticava canoagem durante a faculdade, depois migrou para o kayaksurf. “A vida me ensina por meio do esporte”, diz a multiprofissional. “Aprendo a ter dedicação, disciplina, persistência; a não desistir”, afirma ela, a única mulher a competir o circuito nacional desse esporte de aventura. Roberta se profissionalizou no kayaksurf em 2001 e começou a participar das provas internacionais em 2003 – época em que foi contratada pela UOL. A empresa é também sua patrocinadora. “São duas profissões na mesma empresa”, brinca.

 

Roberta entrou na UOL para realizar um trabalho temporário. Sua atuação despertou o interesse dos gestores, que a contrataram como designer. Mais tarde, a profissional assumiu a coordenação da área e, em seguida, a gerência. “Coordeno uma equipe de criação que atende a todas as áreas internas da UOL”, explica. A jornada se inicia às 9h30 da manhã para a equipe de dez pessoas, e o desafio diário é atender a mais de 20 clientes internos. “No final de ano é puxado, há acumulo de funções em todas as áreas”, diz Roberta. Sua equipe é responsável por fazer hotsites, lançamentos de produtos e publicidade online, entre outros trabalhos.

 

“A UOL apostou em mim nas duas carreiras”, afirma a designer-kayaksurfista. No esporte, eles acreditaram em seu talento antes de a atleta ser reconhecida. Hoje ela está no ranking Top 10, entre os dez melhores do mundo. “Foi uma parceria que deu certo desde a primeira prova internacional”, diz a esportista que contagiou a empresa. “Houve uma vez em que cheguei de um campeonato e havia dois pôsteres enormes, até o teto, lindos, com fotos minhas pegando onda”, recorda-se. Eles exibiam mensagens de parabenização para Roberta e, quando perceberam sua chegada, os colegas pararam de trabalhar para aplaudi-la. “O andar inteiro me aplaudiu; eu chorei, fiquei emocionada.”

 

Os campeonatos de kayaksurf se concentram entre março e julho, além de algumas provas internacionais em outubro. No ano passado, março teve um ritmo intenso. Roberta estava treinando para o Festival Internacional da Califórnia, na tradicional praia de Steamer Lane (considerada “cinco estrelas” pelos guias internacionais, com ondas de até quatro metros). Ao mesmo tempo, cuidava da implantação de um novo projeto na UOL. “Acordava às 5h da manhã para conseguir treinar e trabalhar. Mas era como se eu estivesse buscando duas medalhas.”

 

Roberta entregou o projeto no prazo e viajou no fim de semana seguinte. “No trabalho, o projeto foi um sucesso e resultou em aumento de vendas; na prova internacional, fui a única atleta estrangeira a chegar na final” – comemora. O Festival Internacional da Califórnia é uma das provas mais disputadas no circuito. Roberta conquistou o quarto lugar, mantendo a mesma colocação de 2008.

 

Destacar-se em duas profissões, porém, é um mérito que não se conquista sem alguns sacrifícios. “Em maio, tive de deixar a vida pessoal um pouco de lado e focar nas prioridades”, confessa. Roberta não é casada e não tem filhos. “Fiz minhas escolhas: a de viver intensamente meu esporte e a de me dedicar à profissão”, explica. Ela tem liberdade para viajar e aproveita as férias para competir internacionalmente. Em São Paulo, faz treinos físicos na raia da USP, de cerca de 2h30 de atividade por dia (remada, endurance e explosão, musculação e ioga). No fim de semana, vai para a praia treinar as técnicas de surfe. “Eu compito com atletas que moram na praia, que vivem disso, preciso me dedicar.”

 

Há alguns anos, Roberta sofreu uma lesão no ombro – uma das partes mais importantes

do corpo para esse esporte. Com seus médicos, optou por não operar. Investiu na fisioterapia, que “exige tempo, disciplina, paciência”, descreve a atleta. “Mas cheguei ‘inteira’ para o mundial e conquistei o sétimo lugar”. Foi uma luta pessoal que Roberta conseguiu vencer.

 

Profissionalmente, ela vive agora seu maior desafio: gerenciar uma equipe jovem e muito competente num segmento que exige criatividade para se reinventar constantemente. “Somos a agência online da UOL, precisamos estar sempre inovando para continuar a ser referência.” Os desafios, porém, não intimidam – eles estimulam, e Roberta segue em frente em busca das próximas vitórias.

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